sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Prefiro que me mintas...


foto: https://www.facebook.com/dancersover40?fref=ts
Sente, meu amor… olha-me em tons de desejo. Escuta o ardor da minha boca.

Abraça-me, atravessa o deserto do meu corpo, ao de leve… acaricia-me em simbiose com as notas musicais…dancemos. Repara como a melodia nos acompanha tornando-se ainda mais linda.

Beija-me, se te apetecer. Procura a minha boca em círculos de mel e fica...  na imensidão do beijo.

Brinca, confunde-me os sentidos… baralha-me, faz com que perca a estrada.

Vamos antes por ali… caminho onde o meu corpo se confunde com o teu e nos permitimos ir sem vontade própria.

Não tenhas medo. Vamos sem sentido ou rumo, não precisamos. É aí que as nossas almas se fundem ...já não me importa o mundo. É onde desejo ficar, pra sempre, sem receio do impossível.

Não vês que não conheço prazer maior? Ainda que não me desejes, prefiro que me mintas.

Vanda Romeu 


                            "Aunque no tengas ganas, prefiero que me mientas"

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Este amor...



Acreditei, meu amor… 

Rendida, deslumbrada, confiante, acreditei.


A força dos nossos momentos,
 a intensidade dos beijos, aquele olhar,
 o comunicar sem proferir uma única palavra…

 Acreditei.


Como poderia duvidar de um amor que me faz agradecer todos os dias a dádiva do encontro? 


Afinal o amor somos nós,
                                          tu e eu,
                                                         tu, 
                                                                eu, 
                                                                         os outros. 




Há agora uma dor que me rasga as entranhas, 
que me turva a lucidez, 
não quero que passe. 

Que seja minha companheira,
                                                 só ela me traz a memória de ti. 

Vanda Romeu

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

escrita acordadora




Embriagar-me, ao beber-te.
Saciar-me, ao comer-te.
Perder-me no teu corpo.
Vaguear, partir, ignorando o caminho de volta.
Esquecer-me, memorizar-te.
Contigo quero ser apenas mais uma e, como louca, quebrar todas as regras, transcender todos os limites.
Ultrapassar todas as barreiras.
Quero ser devassa e libertina.
Entregar-me com prazer num vão de escada.
Seduzir-te num elevador.
Deixar que me possuas numa rua qualquer.
Contigo não vejo Amor, contigo não há futuro.
Não há ontem, nem amanhã.
Contigo apenas Quero!

Quero...

Alma

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

tu, vindo do nada...



vindo do nada, empurraste-me a porta da alma e entraste.não sei da tua voz, do teu rosto, de ti inteiro ou em metade. não conheço as tuas  mãos ou as tuas formas. arrebatador, violaste a minha vontade, falas com as minhas palavras, com o meu pensamento, sempre e só no silêncio mudo da página em branco.

escreves em mim  frases minhas que nunca te disse, pela minha voz que nunca te chegou. e tens-me invadido como ladrão que entra em quarto abandonado, incauto...
e assim, de repente, fazes parte da minha vida, sem respeito, sem licença, sem que saibas quem eu sou. 
 
e eu deixo...
quero.

imagino-te na tristeza das tuas palavras, na afinidade do amor que nunca foi reconhecido, do desejo nunca concretizado. e revejo-me em ti, nesta vida de enganos, subtilezas e desenganos.

e falas-me de amor... do que sentirias, do que farias, do quanto sou para ti.
vem, peço-te, até mim mas alma e coração. partilha comigo os meus lençóis, se quiseres,  acaricia-os como se fossem a minha pele, aquece-os com o carinho e a ternura simples dos condenados do amor e deixa-te estar, silencioso. ao meu lado.
e, quando te parecer, toca-me como quem acaricia a alma…

que a minha alma é triste e presa num corpo sempre desejado.

                                                           e, garanto-te, não há nada mais triste…
Alma

terça-feira, 2 de outubro de 2012

despojada do que não me é...



hoje, entrei pela tua porta deixando lá fora tudo quanto pudesse falsear o ser que sou.
entrei pela minha pele, na tua casa, em ti, qual surpresa de uma decisão de quem se cansou da hipocrisia alheia, envolvente, sufocante...
hoje, aqui, sou só eu, comigo. contigo.
esta é a cor da minha pele, dos meus olhos, do meu cabelo, as minhas formas... eu como sou.
aninhar-me-ei, enrolada, num canto do teu sofá, do teu leito, da tua vida. e não me perguntes nada. dá-me só o silêncio ou começarei a chorar.
sabes, às vezes é necessário esquecermo-nos de nós próprios para esquecermos os outros, para esquecermos as injustiças a que eles nos sujeitam…
e, se contigo, sou eu e completa, deixa que assim seja, em silêncio. abraça-me antes, devagar, rodeia-me os ombros, deixa-me afundar o rosto no teu peito, cheirar-te como ser real…


sim, não nego. talvez não consigamos evitar o desejo mas que ele nos invada lentamente, como num roçar, num calor envolvente, de rosto e beijo, de mãos e braços, de dedos e pele inocente.
depois, se quiseres ser terra em mim, invadindo-me, tapando-me, protegendo-me, sê, mas completamente. não deixes que outros me alcancem. não aguentaria outro toque que não o teu, outra vontade dominando-me que não a tua.
e quando o grito se soltar das gargantas e continuarmos a ser só nós em um, sem outros, poderei dizer-te que não preciso de roupa nem de disfarces pois contigo sou quem me conheço.                        Alma

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

lábios-barco, ondas-beijos em mim



na saudade de ti, soltou-se este beijo do meu sorriso triste.

            janela aberta da minha Alma e aí vai ele, solto e livre.
 

... imaginei-me ele, imaginei-me contigo...

                     entrando na tua intimidade,

                                    invadindo, percorrendo os cantos que tão bem conheço,

           ser carícia envolvente e subtil pelo teu rosto, pela tua tristeza...

                     sente este beijo que nunca mais soube de si desde que o abandonaste.

… amargo de lábios em que se tornou, viajante perdido no deserto do Amor.

cuida dele, fala com ele, fala comigo, com a minha boca, com o meu desejo em pele húmida de ansiedade,

fala até à exaustão, até à secura de boca, de lábios, cansaço de olhos que já não conseguem chorar...

                          chora-me de prazer, em loucura como antes…

                                                                               até à dureza dos corpos,

soltos como este beijo que teme a força do desejo que nos domina,

pela dor de carne macerada .

                                                       deixa-me não parar,

             mas fala sempre,

 que mais do que a Alma é o coração que vive empedernido,

                                         seco do mundo, seco do que ouviu.

e se a loucura te dominar, deixa-a ser…

                              estéril fica o solo que não é arado.
                  
e és amarras em mim,

        lábios feitos corpo, corpo feito mar,

ondas de beijos em que me transportas,

                   aridez que me sua agora no delírio

                                                      de todo tu seres boca em mim.     Alma

segunda-feira, 18 de junho de 2012

a tua presença...



és o fechar das minhas noites
e a alvorada das minhas manhãs,
em promessas loucas de amor e desejo.
és vontade e aconchego,
protecção e ternura.
e eu embriago-me nesse mar de tranquilidade,
deixo-me embalar pelo vigor do homem que assim faz de mim menina,
sonhando com o meu lado de mulher.
e seremos nós pelo mapa do amor:
tu, pelas minhas curvas e voltas,
eu, pelo circuito do desejo em que me perderia contigo.
  
Alma

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Altar a tua Paixão


Hoje, em pensamento, entrei nesse santuário que tantas vezes idealizei partilhar contigo... 

Acariciei a suavidade cheirosa do tecido lavado, mergulhei o rosto na lisura do algodão e espreguicei-me nele, felinamente estendida.

Ao meu lado,o teu corpo pressentiu o calor do meu, mexeu-se... voltaste-te,  tua pele fixou-se na minha e cobriu-me... macia, perfumada, morna, envolvente...

E fui altar da tua paixão, dos nossos corpos em diálogo mudo.                      Alma

quinta-feira, 3 de maio de 2012

movimentos de paixão


amor que quisera...

                         ou que viesse...

                                           e foste tu.

tocou-me o calor da tua sombra,

                 o teu mundo aos meus pés

                                  chamando-me sua...

                                                  que tua serei quando os teus braços me encerrarem.

                                           

                               e que loucuras trazes tu nesse teu silêncio que só o teu olhar trai!

procura o meu sentimento,

                                      o lado carente que reconheces na linha da minha boca

                  e grita beijos que me derretam,

                                         que me calem a dor e me renasçam noutra.

                                                               talvez aquela sonhada por alguém que me  rejeitou,

                                      ou a outra em que acreditaram e deixaram fugir.

                    ou deixa-me ser apenas eu-contigo

                                                                                       nessa ânsia com que

                                                      te abraço,

                                                                                   te puxo

                                       e me dou.

                                                                 por inteiro.        Alma