quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Hoje o céu tem mais uma estrela

Era uma vez uma menina...apenas uma menina...
A vida foi-lhe colocando obstáculos pelo caminho e ela deixou de ser menina. Ou assim pensava ela.
Os seus braços e os seus cabelos cresceram e cresceram. E os olhos. Os olhos tornaram-se tão grandes que abarcaram dentro de si todas as pessoas que ela amou nos seus vinte e qualquer coisa de vida. E foram tantas essas pessoas.
O vento levou-as, a água apagou os seus rostos e mãos e sobraram nomes bonitos gravados nos olhos da menina.
Por isso mesmo ela aprendeu a gritar. Para deixar a dor sair. Para amansar a fúria da tempestade que grassava no seu interior.
Mas hoje ela não grita. Tem mudado aos poucos. Não se enfurece. Deixa-se cair na cama e canta baixinho.
Hoje ela quer-vos dizer isso mesmo. Que gritar no silêncio onde ninguém nos ouve não muda a nossa dor. Não apaga as feridas. Não retira os dedos que as pessoas insistem em cravar nos nossos olhos.
Por isso mesmo é preciso saber mover a paisagem. Saber andar como anda a água implacável. Saber terminar um ciclo e começar outro.

Eu sei e vocês sabem que ainda vou gritar muito, porque ainda vai doer muito. Viver, dói. Ver injustiças, dói. Magoarem-nos, dói. Perder alguém, dói.

Mas ao fim do dia há sempre música. Há sempre sorrisos. Há sempre um amanhã mais perto. Um desfecho, um ponto final.

Não apressemos o fim. Sentem-se aqui ao pé de mim e sintam a brisa.
Contemplem um pôr-do-sol, vivam os momentos unicos, amem, sorriam, abracem-se, sintam-se...


Desde menina que guardo
palavras. Em caixas, em garrafas,
nas páginas de livros vazios,
nos olhos de homens,
nas mãos de mulheres,
na alma do poeta.

Desde menina que te guardo
em mim.

Para ele, um menino ainda

céu ganhou mais uma estrela, depositou-se no meu olhar, espero que voces também o vejam brilhar :)


SOFIA

1 comentário:

teresa pires disse...

...«Que gritar no silêncio onde ninguém nos ouve não muda a nossa dor. Não apaga as feridas...»
Doi... Ah! como eu sei!
São poucas as palavras no momento da partida. Dor , tristeza