quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Babel

Segundo o livro bíblico Géneses os descendentes de Noé, o que se safou do dilúvio, com a finalidade de chegar aos céus começaram a construir uma torre que deveria ser enormíssima. A Torre de Babel. Ao que Jeová – Deus do Antigo Testamento, danado com tal ousadia fez com que os construtores começassem a falar línguas diferentes para que assim não se entendessem e não levassem avante aquela magnânima obra de engenharia, da terra ao céu, justificando os diversos idiomas pós diluvianos.

Nem tem discussão o avanço tecnológico; as telecomunicações, os transportes de alta velocidade, viagens espaciais com a instalação tão útil dos policias satélites, enfim… no campo da medicina, todos progressos conhecidos, os diversos transplantes, descoberta do ADN, tem o ser humano capacidade de clonagem de tecidos ou órgãos, até seres completos. Fomos à Lua, naquela corrida contra os russos, vamos a Marte tirar fotografias e recolher amostras para os cientistas, etc..

Porém, em matéria da dignidade humana, para não lhe chamar dos direitos humanos, estamos muito longe de um desenvolvimento aceitável, aquém dos progressos científicos. Descobrimos e desenvolvemos novas estradas de comunicação; com a Internet ficamos com a sensação que o mundo está ligado, comunica, mas é precisamente nesta matéria que falhamos redondamente, temos os meios, mas não nos ligamos, recolhemos informação, mas não aplicamos os conhecimentos, será sempre necessário um bom processamento dessa informação e agir. Louvadas as mobilizações globais convocadas através na Rede, mas representam muito pouco, exige-se mais. Uma boa dose de autocrítica que nos facilitará a humildade necessária para o entendimento, é também o problema do companheiro ao lado e que juntos, até porque pensamos mais, podemos alcançar a qualidade de vida, desejada.

Não é assim, talvez por maldade de Jeová, a coisa parece a “verdadeira” Torre de Babel, evidentemente que estava o mundo na maior se o problema fosse português e fora tudo estivesse muito bem, mas não, muito pelo contrário, como muito bem mostra o filme, BABEL, que merece a nossa atenção, chega a ser penoso verificar como este mundo perde as pessoas, nos atrapalhamos uns aos outros pela falta de comunicação, incrível, com a gravidade que implica e a infelicidade gerada. Mais uma vez fica em evidência que quanto mais pobres somos, maiores são as dificuldades em nos fazermos entender, até porque a riqueza traz o poder que facilita a demonstração da nossa razão e nem é preciso comunicar muito, fala a prepotência.

Infelizes aqueles que não conseguem olhar a humanidade como um todo, nos direitos e no respeito, na dignidade, muito infelizes são.

Sem comentários: