terça-feira, 28 de outubro de 2008

Carta, a Rita

É utopia pensar numa sociedade, multi-cultural, organizada na planificação dos recursos, onde o trabalho faça parte duma vida feliz em harmonia com lazeres cada vez mais prolongados para nos conquistarmos a nós e aos nossos amores.

Desde muito novo que acho uma brutalidade as mães largarem os filhos em idade bebés. Os pais tem de ir trabalhar, infelizmente esta família doente produz esses desamores, com os mais velhos é nítido o interesse em a organização social cuidar mal deles dando perfeitamente a entender que quanto mais depressa morrerem melhor, analisando as reformas que as pessoas têm originadas por ordenados baixíssimos, quando as empresas devem milhões há segurança social; não pode haver desculpa, temos de produzir de qualquer maneira a efectivarmos uma vida digna a todos os humanos, senão somos muito irracionais e sem dignidade espiritual na relação com o nosso exterior que também somos nós!


Se for utopia, é um sonho tão nítido que me sinto muito bem a pensar assim, sabendo que somos cada vez mais a sentir o mesmo. Conhecendo um pouco de História e Presente, no progresso tecnológico, sabemos que é possível conquistar-nos. Tenho uma clareza quase absoluta que andamos meio perdidos numa selva cerrada fora do nosso ambiente, onde nem nos sabemos alimentar e o oásis está mesmo ali à vista pra além daquele ramo de arbusto onde pudemos brincar sempre.
As lutas são as Olimpíadas sem drogas, numa esperança de vida entre os duzentos e os duzentos e cinquenta, daqui a duas gerações. Risos.


É um lamento não semear esta ideia.

Venerando-te


1 comentário:

Ana Prado disse...

Entendo o que diz, António. Também vejo tudo isso de forma clara, mas angustia-me a reacção da larga maioria a estes pensamentos. Chamam-me frequentemente, e de forma depreciativa, de utópica. Pobres, que nem sabem que me elogiam...
até breve