quarta-feira, 8 de julho de 2009

rasgo-me


Na boca que se fecha, no olhar que enclausura as lágrimas, no peito que se tapa com tule de viuvez, no ventre tornado casto, no grito que não solto, no silêncio que aumenta a pressão do ar que respiro.

Na Alma que se recusa.

Tudo em mim é rasgo. Rasgo pela saudade que deixas como rasto na secura de um deserto, como sulco do corpo em sangue que negaste por falta de fé.

Serei ainda rasgo nas noites em que fincar os dedos no teu lugar vazio e inspirar o perfume perdido na almofada que não utilizaste.

E no meu acordar cravarei as unhas nas mãos que beijavas com esse riso rasgado de adoração agora incompreendida.
Alma

2 comentários:

Anónimo disse...

Simplesmente belo...

MIMO-TE disse...

Um sopro de sensualidade
:-)

Bjos

Paula