terça-feira, 13 de outubro de 2009

rendida, rendição, rendo-me

Emilia Castañeda

sinto a envolvência da tua presença, como braços que me dominam e subjugam à tua vontade, mão que és por mim-fora, pele colada, fundida em mim, impressão digital perdida, algures, em nós.

côncavo e convexo acertados pelo desejo, numa dança sem par, de música quase inexistente, tocando no entre-nó, para Nós, em surdina.

ouço a tua voz que quase esqueci, sem calor de alma pois que agora és só cheiro, vontade e ternura.

e saber que desígnios, que forças trazes em ti que me fazem acreditar em não te vás embora, não me deixes, como toques de sinos numa alma já finada pelo desprazer.

e como me daria!..., como seria, como me descobriria para ti, para que soubesses, para que acreditasses, para que fosses e tu sendo comigo…

tu, minha alma, espaço interior em mim, força estranha e também esquecida pela vida, que assim me domas à tua vontade como me domas nos teus braços, prendendo-me e soltando-me no desejo que sonhas pelos dois.

contigo serei, Sou.

e nada temo. permaneço, recuso a saída. só não sei porquê.



Alma

1 comentário:

Anónimo disse...

belo... sensual... comovente. E a imagem diz tudo.
Beijo
JM