sexta-feira, 17 de setembro de 2010

minha perdição

deixa-me ser aquele beijo fugidio na espera do semáforo.

o meu braço nos teus rins em abraço que não fica.

e rir, rir sempre no teu rosto que imagino sério,

                             lembrar o teu riso cristalino de homem.

minha pernas que tropeçam nas tuas,

                        fingindo que te abraço,

                        fingindo que acaricio o teu rosto...

deixa-me ser infantil nessa mordidela de lábios,

             procura de língua em plena avenida,

                                                      desacato público...

perdida, tonta e apaixonada.

e deixa-me  ser ainda um abraço nas tuas costas,

                            nessa atitude de quem quer e rejeita...

como é bom sentir-te assim, solto.

...agora…

            

não digas nada, fecha a porta com o pé.

crucifica-me em ventre contra a parede,

                                   molda-te em mim...

tu e eu, o mundo lá fora...

tu e eu... entre nós, nem ar nem limites

isso, assim, marca o compasso do desejo em mim,

sigo os teus movimentos,

                       discípula nesta dança silenciosa.

a tua respiração no meu pescoço,

                        marca de dentes no meu ombro

beijos selvagens em quem de mim não vejo...

apenas sinto e ardo, dançando sempre...

até o grito não se conter

até a rouquidão ferir os tímpanos

até a tua marca por mim,

                                em mãos,

                                saliva e suor

                                     determinar o último fôlego.

tu…

não sei se deus ou demónio

se perdição ou encontro

só sei que me trazes a vida,

a mesma que perdi,

                     que me retiraram e atiraram fora.

turva-se-me a mente,

                      entorpecimento de membros...

… e a palavra, batida de coração que se repete

                                      tua! tua! tua! 
Alma

1 comentário:

Sandra disse...

Um poema de cortar a respiração!

De uma intensidade e sensualidade que acelera o ritmo cardíaco!

Gostei muito!

Parabéns à Alma :)

Muito bom!