sexta-feira, 12 de novembro de 2010

caminhos impensados

Nestas viagens por caminhos impensados
o fascínio está na incerteza duma próxima vez.
De contrário seriam caminhos pensados.
Nas noites de maré vaza há pedras que se despem
e mostram-se na luz morna de lua sem ser cheia.
Num barco de remos que por ali pernoita
dormem carícias que a noite afaga
em corpos que a maresia lambe.
Caminhos impensados mais parecem artérias pulsantes
à descoberta da ilha dos amantes.
Marcadores de tempo e de território
não são pensados nos caminhos impensados.
Basta seguir os contornos do momento
em atalhos de esplendor difuso
e escutar os sons cativos da expectativa
e sentir-nos e chegarmos lá...

O fascínio está na incerteza duma próxima vez
nestas viagens por caminhos impensados.

Adelaide Graça

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