domingo, 14 de novembro de 2010

jardineiro...

Jardineiro, amas todas as flores
A cada brisa dançam, graciosas pelo carinho.
Sorriem à tua chegada, ao primeiro raio de Sol.
Sonham a tua voz de mel,

Anseiam o amanhecer, sentir-te, ter -te.

Quiseras-me flor do teu jardim.
Inundar-me com beijos,

Com tuas mãos, calor e entrega,
O verde do teu olhar me faria medrar…


Quando o meu tempo passasse,

Recolhias as minhas pétalas secas, no meio de um livro.

As pétalas caem-te no colo,
Segura-las com suavidade,

Acaricias com a ponta dos dedos,
A lembrança abre-te um sorriso doce e malandro,

Soltas em suspiro,
Linda flor tive no meu jardim
!
Vanda Romeu




4 comentários:

antoniomaia disse...

(que piada... ontem li um poema,já não me lembro onde, que tinha alguma coisa a ver com este :))
gosto bastante deste poema, parabéns à Vanda Romeu :) e obrigado à Sandra pela partilha e edição do mesmo com as fotos,
O jardim é sempre um local tão agradável...
obrigado!

antoniomaia disse...

A propósito do poema do post e da poesia, quero comentar em dois poemas e sinto-me tão bem em fazê-lo:

A lição do Jardineiro

Pequeno reino de sebes e canteiros
O meu jardim me ensina
Que até a rosa nobre de Mileto
Tem de, para ser bela, ser podada.
Também ela deve compreender
Que a couve, o alho, e outros legumes
De origem modesta, mas não menos úteis,
Têm, como ela, direito
À sua ração de água.
O jardim seria mato
Se só na rosa imperial pensássemos.

Bertolt Brecht

e...
Sobre o Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.

Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.

Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Hélder

Sandra disse...

obrigada António pela simpatia do teu comentario :)

Sinto-me tão bem ao ler os dois poemas que envias:)

"o jardim seria mato
Se só na rosa imperial pensássemos"

"-E o poema faz-se contra o tempo e a carne."

Adorei! Obrigada:))))

Sandra disse...

só um aparte... o jardim retratado nas imagens tem um significado muito especial para mim:) Nada tem a ver com a Vanda! Mas ela não se importa...Como dizes, qualquer jardim é sempre um local agradável:)