terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Porque não me contas um segredo? (conto erótico)


– Porque não me contas um segredo?
O Tejo estende-se calmamente mesmo aqui ao lado, afinal é normal que as diversas estradas se toquem e mesmo se cruzem, tal como as vidas das pessoas. Considerando que a nossa vida tem um rumo, um caminho ou estrada, encontrando outras pessoas surgem os cruzamentos e entroncamentos diversos...
– Porque não me contas um segredo?
Uma vontade que me acompanha muitas vezes de entender a razão pela qual as pessoas seguem a minha estrada em vez de outra. Porquê eu?
– Conta-me tu primeiro.
Disse ela sorrindo com um ar malandro que quem vai pensar nalguma coisa...

Agarrei-lhe a mão decidido, atravessámos a rua e entrámos numa tasca velhinha mas asseada , funda, de paredes altas, pipas de vinho atrás do balcão e pedimos o lanche petisco, eu jaquinzinhos, uma meia dúzia e uma taça de vinho branco, ela uma sandes de presunto e outra taça branca...
Num reflexo saí à rua, já os candeeiros acesos desafiavam a noite num lusco-fusco sempre intimista, fiz um telefonema breve e voltei ao banco corrido da tasca onde petiscámos...

Meia hora depois e de café já bebido, interrompo a conversa, levanto-me e não consigo evitar uma gargalhada de enorme alegria pela prontidão profissional da chegada até nós de Laura, uma acompanhante de cor mestiça, baiana, de vinte e oito anos que havia conhecido na despedida de solteiro do meu amigo Hugo Marques e que me tinha ficado na memória por boas razões. É belíssima, de olhos grandes castanhos claros, cabelo franzido bem tratado, altura média mas com os saltos altos fica um mulherão que não passa despercebida nunca, apresentei-a e sentámo-nos.

Raquel, minha mulher amante não ficou nada indiferente, o sangue muito depressa lhe saltou à cabeça, daí a cor rubra na sua face branca.
A simpatia alegre e à-vontade da baiana mulata colocou-nos num clima muito descontraído e lá fui direito ao assunto, o meu segredo, já tínhamos falado muitas vezes do caminho que iríamos trilhar nos devaneios do prazer, até ali tínhamos caminhado sempre em crescendo e sentíamos que era necessário continuar a crescer descobrindo outros caminhos, não havia volta a dar e como tínhamos esse sonho de ter outra mulher entre nós, conjugado com um desejo enorme de fazer algo diferente naquela noite...

Na época vivia num estúdio em Alfama, quarto, cozinha e casa de banho, estávamos no meu bairro. A hora da noite já convidava ao jantar e resolvi dar um toque tradicional e típico à ocasião, Clube de Fado, nem mais, subimos ao nível superior e escolhemos uma mesa recatada onde pudéssemos ficar mais na intimidade de quem vai namorar, mas a três, uma novidade que fazia acelerar o coraçãozinho que sentia apertado apesar de estar liberto de complexos e pronto para o que aí vinha. Já sabíamos os três que haveríamos escolhido cruzar os nossos caminhos naquela noite amena de outono. Não foi um jantar de todos os dias, carote, mas valeu a pena, comemos bem e regámos as pataniscas de bacalhau com um tinto alentejano que já nos ajudava no refrão dos fados mais corridos. Inesquecível.

Duas ruas e uma escada antiga para ficarmos no cortiço desarrumado mas de serventia adequada. Entrámos, já Raquel se sentia dona do espaço, os seus olhos azuis quase cinzentos ficaram   transparentes e brilhantes, tinha há uns momentos aberto a alma aos momentos seguintes, saltava para o meu pescoço aos beijos prolongados com a sua boca quase seca que agarrava os meus lábios também cheiinhos de tesão.
Laura tinha ido ao banheiro e com que voz pediu ela licença naquele sotaque meloso, seus olhos também já mostravam bem o espírito, dançávamos num afago total ao som de Maria Bethânia quando ela se veio juntar a nós cantando e dançando, nua... a pele escura molhada fica arrepiada com o meu contato, abraço-a forte e sinto no meu peito também nu de camisa aberta, seus mamilos que são como botões que abrem a disponibilidade da mulata, grossos e da cor dos seus lábios também grossos que Raquel beija com a suavidade de quem acaba de chegar... enquanto percorria aos beijos o corpo daquela mulher maravilhosa deixo cair as calças e num movimento à retaguarda caio no sofá a saborear o prazer da visão, as duas mulheres estão numa dança selvagem com beijos longos e abraços por todo o lado, Raquel passa e deixa a mão fina branca pelo rabo negro da brasileira e aquela imagem de contraste deixa-me desvairado de prazer, penso na felicidade que me é concedida por poder possuir naquele momento que desejava longo, aquelas mulheres intensas de prazer.

Esticado na procura dos cálices para servir uns conhaques sinto uma boca entrar por mim a dentro, aquela boca deixa-me tonto, até porque me consegue engolir quase todo e em movimentos lentos ora acelerados... o brandy fica para mais tarde... sinto-me um enorme sexo, ao mesmo tempo que beijo os seios e trinco os mamilos negros, Raquel faz o que tanto adora, saboreia-me gulosa e roça-se no meu joelho ao ponto de sentir o quanto está molhada de tanto desejo, enquanto beijo a outra, acaricio-a... os primeiros sons são gemidos espaçados, penso que temos a noite toda, saio dali devagarinho e aos beijinhos, vou servir os conhaques e meter nova música ao mesmo tempo que resfrio a cabeça, de bandeja mais ou menos a vestir-me o sexo deparo com o quadro mais belo, as duas lá estavam no sofá abraçadas aos beijinhos como se fossem amigas de longa data, que belo, nenhuma violência, adultos conscientes, dispostos a fazerem-se felizes nem que por uma noite... a alegria e a paz são o lema da nossa comunhão.
Saboreamos o conhaque e os beijos que cada uma dá  conversando sobre cozinha suponho, até que Laura chama atenção para outra comida e beija Raquel de uma forma tão intensa que me deixou arranhada a posse da minha namorada, aquele traiçoeiro e repentino pensamento deixou-me foi mais desperto por quem e onde iria começar sem incomodar as meninas que tanto se amavam. Tenho um rabo branquinho à frente que se remexe de pernas semiabertas o suficiente para passar a minha mão e sentir se há repulsa, não há, de pé enfio o meu pau rijo que foi sugado de uma vez pela tesão dela, é bom demais, ela é apertadinha ao princípio, sinto-me dentro dela completamente, os movimentos são cada vez mais fortes e rápidos e ela geme e fala e pede e dá e toma e está num prazer incontrolável os olhos da mulata estão cerrados enquanto busca a boca da outra que está aberta, os beijos são os intervalos dos gritos... até ao orgasmo, Raquel, chicoteia o corpo como nunca tinha visto, que delíiiiicia... delíiiiiiiiiiiiiiicia!

Quase uma lágrima caía de felicidade quando aparece um beijo tão desejado como retribuído, respiração normalizada e... sentada, esperando por mim uma mulher maravilhosa que me desejava também ela... de olhar envergonhado e sorriso malandro lá me mandou um beijo pelo ar que não deixo cair, quem cai sou eu e de joelhos... os meus dedos entram nela, estremece , encontro o clitóris e não resisto a beijá-lo, fico com ele entre os dentes e passo-lhe a língua, sinto-lhe o prazer, ela geme e abre suas coxas como se duma flor se tratasse e ali estava exaltada de prazer, beijada com a ternura que só Raquel sabe dar... Tenho uma surpresa pra você, diz a baiana, quero dar-te minha bundinha. Faz-se um momento breve de silêncio logo interrompido....
...
Abdul-Hamid

3 comentários:

Luna disse...

Abdul, conta-me o que interrompeu o silêncio!

Uma escrita muito agradavel! Deliciosa! Aminha imaginação já voa!

Beeeemmmmmm!

Obrigada, amigo António, pela Partilha!

Rosa Rocha disse...

imaginação forte ... deliciosa

Sutra disse...
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