quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

em desejo, esquece-me do mundo


incomodada, agito-me pela ameaça que me pesa.

mais uma vez.

... estas arestas da vida que se me apontam, que me roçam a pele como ameaças claras de lágrimas, de sofrimento.

às vezes tolhem-me o dia, a felicidade, com uma segurança de esperança perdida, de ilusâo sombria no amor.

mas eu rio-me delas. sorrio. na obscuridade de quem eu sou e que não revelo... do que sinto. porque amo e uso o amor como escudo, como arma de indiferença perante o mal, sombra de um bem incompreendido.

inspiro a vida que a memória de ti me traz. e brotam-me as palavras pelos sentidos numa sede, numa fome de te amar como se disso dependesse o acto seguinte de respirar e de viver.

e a vida trago-ta eu nas minhas mãos ávidas de gestos, na minha boca faminta de ternura que, entreaberta, espera o carinho envolvente e escorregadio da tua. num abraço domina-me, sufoca-me pelo silêncio, eu, desejo secreto dos teus instintos.

sente-me a alma na minha pele, lisa, macia, em amor e ternura, húmida pela ansiedade do momento que não chega, do que me libertará do sofrimento do mundo.

porque aqui, contigo, quero ser apenas corpo. o dos segredos que já te revelou, dos outros que saberás encontrar e de mais que nem eu conheço. desperta-mos como me despertaste a mim, mulher-sombra pelo brilho dos teus olhos feita luz…                     Alma

1 comentário:

Luna disse...

Que maravilha!

A Alma escreve cada vez melhor!

Amei!

Beijos :) Grata pela partilha!