sábado, 26 de fevereiro de 2011

escreve o teu desejo por mim


Remonta a horas de desejo cada palavra, cada texto que te escrevo. Como sulcos gravados na pele, percorrido por dedos imaginários, sem intenção, ao acaso, como se a carícia fosse inevitável ao pressentir o calor da outra pele.

E deixo deslizar as palavras ao longo do fascínio próprio de qualquer página em branco, criando formas e espaços pelo branco, pelo que sobra, como se fossem os teus dedos  percorrendo a minha pele, dando-lhe forma e  contornos. E há o que fica e o que se adivinha. Neste, peço-te, vai até ao limite, mas não esperes que  to diga, vai sempre, percorre a minha vontade-desejo, nascidos da visão de umas mãos brancas e suaves.

E deixa-as ficar, permanecer como estas palavras que aqui te deixo, marcas inefáveis do bem-querer...

Elas que sejam todas as chaves do meu corpo, soluções de momentos esquecidos de tão adormecidos, espasmos nervosos, redescobertos após o acordar contigo.

E depois deixa-me ficar aqui, de novo, com o corpo por descobrir, uma página por preencher... pois que é assim a escrita como a concebo, virgem continuada e expectante, Mulher nova em cada entrega que te dedica.

Alma

2 comentários:

Daniella Caruso Gandra disse...

A escrita é assim como a concebo... belo poema!!

Luna disse...

está escrito :)

Quente, intenso e belo.

Adorei :)