terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

a essa tua voz do passado...


no fundo, talvez eu esteja enganada mas, dar-te razão, é como descer de novo ao Inferno de mim, àquele que me criaram…

a consciência já não me basta.

atestei-o, ela não me dá liberdade, não me deixa ser eu, é engano que apenas reverte felicidade em sorrisos para alguém...

e eu estou cansada de ter perdido o sorriso, o humor, a vontade, a crença de que o mundo estava à minha espera.

por isso, não quero ter o equilíbrio com que me acenas, a consciência que, dizes, me purifica. não quero esse estádio de alma que era apenas possível contigo. só em ti eu me reconhecia por que me identificava contigo. mas eu sofria e tu sempre nesse mundo tão longínquo que me estendias de vez em quando, de que eu tinha a chave.

mas tudo isso acabou.

eu continuo a não sorrir, os olhos não conseguem secar…

ignorei-te num ponto do meu percurso enquanto tu ainda falas com a propriedade de quem me conhece... não! de quem me conheceu.

apenas te peço... não fixes o meu olhar, não me meças nesse tom de voz, não fales em consciência, em pureza, em equilíbrio.

tudo isso me foi roubado.

aquela que vês é a crosta da que se perdeu.

e, peço-te ainda, não acredites em mim.

já não há rendição possível para quem sou.        Alma

1 comentário:

Luna disse...

Hoje a Alma parece ter lido a minha alma :)
`
Um texto muito lindo com uma imagem bonita!

Obrigada.

é muito bom partilhar este cantinho.

Reconfortante.

Aquele abraço:)