sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

que barro seria nas tuas mãos!..


hoje, deixaste que eu acordasse no vazio da tua vontade,... no vazio.
por mim, rabiscaste traços desconexos já não sei de que palavras, de que ilusões.

em traços apressados, fugitivos e inseguros, roçaste os meus ouvidos com a beleza de sentimentos que, afinal, nunca existiram. e foi ainda em fuga que me desenhaste o desejo de mil cores, afinal desbotadas pela falta de frontalidade, fluidez do que nunca foi.

desejei-te, sim. desejei-te artista-pintor da minha pele, em contornos indeléveis de formas e sombras, sonhando com as tuas mãos, precisas e nervosas, sobre o que de mim há de mais puro, o desconhecido, o mesmo que me ofereceste perante o meu desejo que foi aumentando.

e sonhei-te, sim. sonhei-te escultor de matéria-prima por moldar e como disseste que o farias, carinhoso.

sonhei-me barro nas tuas mãos, sujeita a ti e, afinal, resta-me a humidade com que me amoleceste os sentidos.

mas sei, sei que o sol de mais este deserto me irá secar, por dentro e por fora, ao ponto de já não sentir, de já não querer, de não ouvir que palavras sejam, proferidas por que bocas doces que venham.

não foi assim que me encontraste?

Alma

2 comentários:

Luna disse...

De facto ninguém melhor que a Alma para descrever estados de alma.

Belo. Para refletir.... Gostei.

Obrigada

antoniomaia disse...

Alma, estados de Alma... só tem a ver :)

obrigado pelo comentário