terça-feira, 22 de março de 2011

como são tristes os homens que nos chegam...


como são tristes os homens que nos chegam...

trazem as mãos vazias, o olhar desconfiado, acreditam e esperam uma mão acariciante mas recolhem-se nas suas próprias feridas quando o contacto é mais quente, mais terno.

nas juras de amor não acreditam, nas palavras de esperança não confiam apesar de se confessarem irremediavelmente perdidos, sós, precisando do ombro que desejam mas desviando-se sempre que este se aproxima.

e são tão tristes os homens que por vezes nos chegam... tal como meninos que perderam o seu balão e que, não tendo nem mãos nem braços para os agarrarem, se estendem,  não vendo que a distância que os separa é cada vez maior.

e são assim os homens que às vezes nos chegam. tomamo-los nos braços, rendemo-nos suas e eles nunca chegam a acreditar que o nosso lugar  é ali, neles.

                         ... não fosse este altar onde te consagro e também tu partirias acreditando no vazio dos meus braços.

                        Alma

1 comentário:

Luna disse...

o texto é lindo e está muito bem escrito :)

Adoro a comparação dos homens aos meninos que perdem o balão, mravilhosa :)

E totalmente de acordo com a Alma:
"tomamo-los nos braços, rendemo-nos suas e eles nunca chegam a acreditar que o nosso lugar é ali, neles"


É, não nos crêm... tristes :)

Fantástica a Alma, tão conhecedora de sentimentos e das almas!

Parabéns! Magnífico :)