sexta-feira, 18 de março de 2011

deixa-me Ser...


olhando para as profundezas de mim, tropecei no meu sentimento. encolhido, tolhido, a um canto, piscou os olhos quando me viu, surpreendido.

e dei-me conta da nossa solidão…

a mesma que me faz dobrar a esquina todos os dias para ver o outro lado de mim, na esperança de que ainda lá estejas.

inútil.

e , no entanto, sei que estás lá. amando-me, desejando-me, pronto na resposta quando te chamo… mas não ao meu lado. vens até mim mas não estás…

e não sou mais segredos, só o nome que o amor criou e esse, posso sê-lo em qualquer lado. imutável, verdadeiro, coexiste comigo e dele não terei de fazer segredo.

trouxe-me ao trazê-lo, fora desse espaço onde fui tanta coisa, onde foi o princípio e de que tive de sair antes que o fim, o desgaste final chegasse.

já que tenho de ser sozinha, sê-lo-ei num espaço meu, onde possa ser também desejo.

a alma é a mesma, o sentimento, as palavras… mas sem impressão digital… sem ser o que se espera que seja. porque, mesmo que o seja, não tenho invólucro. nua, serei apenas o corpo e a alma. como antes de ti, apenas com o nome tu a dar-lhe sentido.

Alma

1 comentário:

Luna disse...

este texto está fantástico pela contradição :)

Solidão, mas estás lá :) Um sentimento bonito descrito maravilhosamente pela Alma.

Que sejas, lindo(a) assim :)

Gostei muito.

Parabéns