sexta-feira, 11 de março de 2011

desde sempre sem quando


perdi no tempo o dia do nosso primeiro encontro.

mas que importam as memórias perante este gosto mel e rosas de cada dia, de vida contigo...

que importa uma data, um quando e um como se somos totais naquilo que somos.

és este modo como agora olho, sorrio, me evado de tudo aquilo que me magoa. 

és cada curva da minha impressão digital, de cada sopro de ar que respiro.

"desde sempre" dizes, repetindo-me. 

que te conheci, que te sei assim, como és, como gosto, como te quero. és a minha descoberta esperada, inscrição no vazio da minha vida que sei, que sabes já de cor, de tudo o que me anula, me faz menos pessoa. 

és a força que me chega quando vacilo, hesito ou temo. 

és a sombra que fala por mim quando não vejo, que vê por mim o que não digo.

e penso-me, por cada dia que passa sobre nós, como teu destino, tu como meu, minha vida para sempre tua, iniciada num desde sempre.

e ser esta totalidade por ti, metade de ti feita, parte que também sou eu. 

meu Amor indistinto, destino tecido em malhas secretas em que me deito cada noite depois de ti, depois das tuas palavras, depois de ser contigo.

tu, a quem eu transporto num abraço até à almofada da minha calma, da tranquilidade em que te envolvo depois da vida te ter possuído. 

e Amo-te ainda quando adormeces sereno, nessa consciência do sempre que somos, do destino que construiremos ainda, irrevogável.

Alma




2 comentários:

Luna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luna disse...

Hoje começo por ti António :) as imagens são muito bonitas. Gosto especialmente da primeira,a do chá.

O texto é rico, muito bem escrito, cheio de sentimento e beleza. Mais uma linda descrição de um estado de alma.

Parabéns à Alma!

Grata a ti, meu querido amigo, pela edição e partilha. Tudo muito bom :)