segunda-feira, 21 de março de 2011

meu ombro, meu equilíbrio.


o fio de prumo pendurado contra o branco da parede notificando o quotidiano de uma vida, marco correcto de uma doentia regularidade que não conheço contigo…

uma lufada de ar fresco entrou e o pêndulo oscilou, trémulo, riscando a parede , zumbindo, furioso, por essa inoportuna variante.

serena, fixei os meu olhos no vazio, esqueci-me dessa normalidade sufocante e ascendi à memória de ti, como náufraga de sentimentos e de ternura.

permaneci assim, fixa no olhar em mim, recordando as tuas palavras, o teu olhar de água, magoado pelos fios de prumo de uma também existência soprada.

deixei-me ficar.

do teu lado.

encostei o meu cansaço ao teu ombro, enquanto sentia a tua mão que começava a rodear-me os ombros, os teu lábios na minha fronte, nos meus cabelos, aspirando-me…

fechei os olhos.

o pêndulo parou o zumbido e eu sorri.

a vida voltou à aparência …

e eu, viva, não contra o branco da parede riscada mas ali, do teu lado, consolo que se me oferece sempre que a vida me agride.             Alma

1 comentário:

Luna disse...

Muita imaginação, sentimento e sensibilidade.

Força Alma, em crecente sempre :)

Parabéns!