quinta-feira, 24 de março de 2011

sê ternura em mim


como estou?

        hoje, agora, assim.

estendi-me de lado, ao longo de mim, num momento de relaxamento.

... para descansar o sofrimento, o próprio cansaço, a luta diária deste sentimento que não pára.

senti-me no meu comprimento e desejei as tuas curvas em paralelo contra as minhas, num fundir de espinha e ventre.

vem, mede-te por mim, suave e tranquilo, conforta a minha pele com o calor da tua, explica-lhe que é possível haver toques com amor, que o desejo também se adormece para dar lugar ao carinho, à ternura.

e vem, sê ternura, só isso. sente o perfume do meu cabelo, o mesmo que respiras fundo quando me abraças, o que te eleva o desejo naqueles momentos de pele macia e fresca. compreende-me num abraço, nesse abraço que permanece sem mais gesto, quedo, mudo...

vem e sente-me por dentro, sente a minha respiração alterada pela memória do que a magoou... mas não lhe digas nada. toca-me só e explica à minha pele que contigo será diferente, sublime, sem enganos ou traições, e que será enquanto tiver de ser. que não lhe mentirás, que sempre a afagarás, que a sua linguagem será a tua também...

e que tu e ela dançarão ao ritmo dos sentimentos feitos desejo, no olvido das marcas que ficam após a vulgaridade.

vem mas não me faças tua. preenche-me apenas a alma, o que me falha porque hoje, peço-te, que sejas só essa linha paralela contra mim, na certeza da posse de alguém que há muito sonhou contigo.

Alma

2 comentários:

Luna disse...

Ai como eu hoje precisava de toda essa ternura maravilhosamente descrita pela Alma!

Muito belo! Cheio de emoção e tranquilidade! Tanta ternura! Tão, tao lindo!

sê ternura em mim :)

Parabéns!

antoniomaia disse...

obrigado pelo comentário!
é verdade, emoção e tranquilidade
a Alma é maravilhosa, uma mulher saborosa :)