terça-feira, 12 de julho de 2011

Desejo da minha alma

David Larson Evans



vindo do nada, empurraste-me a porta da alma e entraste.

não sei da tua voz roçando em pele a minha orelha, do teu rosto contra o meu, de ti inteiro ou em metade. não conheço as tuas  mãos ou as tuas formas.

arrebatador, violaste a minha vontade, falas com as minhas palavras, com o meu pensamento, sempre e só no silêncio mudo da página em branco.

… escreves em mim  frases minhas que nunca te disse, pela minha voz que nunca te chegou. e tens-me invadido como ladrão que entra em quarto abandonado, incauto...

e assim, de repente, fazes parte da minha vida, sem respeito, sem licença, sem que saibas quem eu sou.

e eu deixo...

quero.

imagino-te na tristeza das tuas palavras, na afinidade do amor que nunca foi reconhecido, do desejo nunca concretizado. e revejo-me em ti, nesta vida de enganos, subtilezas e indiferença.

e falas-me de amor... do que sentirias, do que farias, do quanto sou para ti.

vem, peço-te, até mim mas alma e coração. partilha comigo os meus lençóis, se quiseres,  acaricia-os como se fossem a minha pele, aquece-os com o carinho e a ternura simples dos condenados do amor e deixa-te estar, silencioso.

ao meu lado.

e, quando te parecer, toca-me como quem acaricia a alma…

que a minha alma é triste e presa num corpo sempre desejado.

                                      e, garanto-te, não há nada mais triste… Alma

2 comentários:

Luna disse...

Muito lindo! Adoro :)

Intenso e profundo.

"vem até mim mas alma e coração"

Parabéns à Alma.

Anónimo disse...

Mais um belo escrito da Alma, obrigada ao Antonio Maia por nos proporcionar tais leituras.
Jacqueline