terça-feira, 1 de novembro de 2011

Minha perdição


deixa-me ser aquele beijo fugidio na espera do semáforo.
o meu braço nos teus rins em abraço que não fica.
e rir, rir sempre no teu rosto que imagino sério,
                             lembrar o teu riso cristalino de homem.
minha pernas que tropeçam nas tuas,
                        fingindo que te abraço,
                        fingindo que acaricio o teu rosto...
deixa-me ser infantil nessa mordidela de lábios,
             procura de língua em plena avenida,
                                                      desacato público...
perdida, tonta e apaixonada.
e deixa-me  ser ainda um abraço nas tuas costas,
                            nessa atitude de quem quer e rejeita...
como é bom sentir-te assim, solto.
...agora…
             
não digas nada, fecha a porta com o pé.
crucifica-me em ventre contra a parede,
                                   molda-te em mim...
tu e eu, o mundo lá fora...
tu e eu... entre nós, nem ar nem limites
isso, assim, marca o compasso do desejo em mim,
sigo os teus movimentos,
                       discípula nesta dança silenciosa.
a tua respiração no meu pescoço,
                        marca de dentes no meu ombro
beijos selvagens em quem de mim não vejo...
apenas sinto e ardo, dançando sempre...
até o grito não se conter
até a rouquidão ferir os tímpanos
até a tua marca por mim,
                                em mãos,
                                saliva e suor
                                     determinar o último fôlego.
tu…
não sei se deus ou demónio
se perdição ou encontro
só sei que me trazes a vida,
a mesma que perdi,
                     que me retiraram e atiraram fora.
turva-se-me a mente,
                      entorpecimento de membros...
… e a palavra, batida de coração que se repete
                                      tua! tua! tua!  Alma

1 comentário:

Luna disse...

ao ler este poema fico com a sensação que fala por mim, de mim :)

Reside aqui parte da riqueza da poesia, emocionar, sentir cada palavra.

A Alma é mestre!

Grata pelos momentos :)