terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Contigo, até à dormência dos sentidos


pesam-me as palmas das mãos, suadas na ansiedade de ti.

em movimentos circulares, aperto a pele até à carne, ao osso, à dor que os teus olhos acusam e a tua boca deseja.

fricciono-te em bálsamo de esquecimento e procuro olhar-te de frente e ver a tua alma. penetro-te, invado o teu sentimento e perscruto em ti o desejo de continuação…

e ouso, ouso em carícias de rosto, de língua, percorrendo a zona ferida pelo desejo. subo-te as mãos pelos braços, abertas em roçarem-se, sentindo cada rigidez, cada pormenor, como quem bebe água fresca directamente da fonte, numa sede que nunca se mitiga.

procuras-me os braços que prendes atrás das costas e, imóvel, cedo à tua vontade contra mim. sinto o ritmo acelerado da tua respiração, violando-me o ouvido, conduzindo agora o ritmo do meu corpo, acelerando-o com o teu.

e sou agora gemido ao teu ouvido, misturando-me nos sons da tua respiração, num esfregar de bocas e rosto, perdidamente molhados, confusos, ébrios...

… tal como o resto de nós de que vamos perdendo lenta consciência, até à dormência dos sentidos.          Alma

3 comentários:

Anónimo disse...

Belo poema e uma imagem muito interessante.

«Contigo até à dormência dos sentidos
- numa busca pressurosa de te achar -,
quantas vezes, pobre alma, em gemidos,
vais pela vida o desejo procurar?»

Jacqueline

antoniomaia disse...

Jacqueline, obrigado pela visita e pela quadra que rima :)
quando leio uma quadra destas que rima lembro-me sempre uma que disseram ainda era mais criança:
quando danças comigo
apertas-me tanto o peito
que sinto dois corações
um esquerdo e um direito hahahah

são do santo António ahahahah
viva a rima que rima e quem a apoiar :)

agora a sério, a rima dá uma musicalidade fácil e repetitiva, não é?

obrigado pela visita Jacqueline

Anónimo disse...

É verdade, Maia, a rima tem uma certa musicalidade. Tenho amigos poetas que só gostam de versos com rima, antigamente tb. era assim, agora descobri a poesia branca e os textos poéticos e apaixonei-me por eles. No entanto pertenço a um grupo de poetas que não apreciam este género. Pior para eles...
Obrigada à Alma pelos belos textos poéticos com que nos brinda.

Jacqueline